terça-feira, 7 de julho de 2009

uma tragédia urbana



" uma geografia indefinida "










" as laranjas iam fazer bem para você "

" você já sentiu atração pelo irmão?"

" entre as coisas que fazem mal para a saúde o sal é a menos prejudicial"

" o que você sente por mim? "

DOIS IRMÃOS - DUE FRATELLI - ENDEREÇO DO LOCAL DE APRESENTAÇÃO

DOIS IRMÃOS- DUE FRATELLI
DE 23 DE JULHO A 13 DE SETEMBRO
QUINTA A SÁBADO - 21 HORAS
DOMINGO - 20 HORAS
CAPACIDADE: 60 PESSOAS
DURAÇÃO : 70 MINUTOS
CASA DE OFÍCIO
Rua Gago Coutinho, 6 casa 28 –Laranjeiras, perto do metro do Largo do Machado
Teatro com estacionamento
Tel.: 2557-9551

INGRESSOS: INTEIRA R$ 20,00/ MEIA R$ 10,00
A Bilheteria do espaço começa a funcionar duas horas antes do começo das sessões de quinta a domingo

terça-feira, 17 de março de 2009

CADERNO 2 - TRIBUNA DE MINAS - JUIZ DE FORA - COLUNA CESAR ROMERO

Sucesso no palco

Pablo Sanábio promete trazer à Juiz de Fora, em breve, “Dois Irmãos - Due Fratelli”, atualmente bombando em São Paulo. O espetáculo foi capa do caderno “Ilustrada” da “Folha de S. Paulo” comentando, principalmente, sobre o risco e frescor da interpretação do elenco, além de ser considerado pela revista “Bravo!”, formadora de opinião da classe cultural do país, como um dos dez melhores espetáculos em cartaz no Brasil.
A montagem também tem um toque ‘fashion’, pois todos os figurinos de Felipe Veloso foram criados pela recém-lançada marca jovem da Daslú, a 284, além de tênis exclusivos da Converse - All Star. No Rio, o figurino incluía grifes como Osklen, Calvin Klein Jeans, Alexandre Hercovich e Blue Man. A produção é indicada pela House of Palomino, de Erika Palomino.

segunda-feira, 16 de março de 2009

APOIO INSTITUCIONAL


A montagem brasileira conta com o apoio institucional do ISTITUTO ITALIANO DI CULTURA - RIO DE JANEIRO

O ELENCO VESTE A MARCA JOVEM DA DASLÚ - 284




O figurino assinado pelo premiado Felipe Veloso é todo da nova marca jovem da Daslú: a 284. Os atores também calçam modelos exclusivos da CONVERSE - ALL STAR.

BRAVO! - OS MELHORES ESPETÁCULOS NA SELEÇÃO DA BRAVO! NO MÊS DE MARÇO


POR QUE IR:

A peça recebeu o Tondelli, um dos mais importantes prêmios da Itália para a dramaturgia contemporânea, e ganha direção de Blois, jovem diretor teatral promissor que trabalhou com Enrique Diaz.

PRESTE ATENÇÃO:


No cenário, uma mesa-instalação do artista plástico Alberto Renault que simboliza todas as peças de uma casa. Além de representar o lugar da família, remete ao campo da solidão e do jogo.

ESTADÃO DE SÃO PAULO


UM TRIÂNGULO AMOROSO À ITALIANA

Matéria assinada pela querida Beth Néspoli que foi até o Rio de Janeiro assistir ao espetáculo para escrever essa matéria na estréia de São Paulo.

MATÉRIA ILUSTRADA - FOLHA DE SÃO PAULO


TEATRO "INDIE" DO RIO MOSTRA VIGOR


" Adorei ver o risco e o frescor que os atores buscam na interpretação. O cenário-instalação é um espetáculo à parte"

Quem recomenda é Pedro Bricio, vencedor do Prêmio Shell pelo texto " A Incrível Confeitaria do Sr. Pellica" e indicado ao Prêmio Shell de 2009 em 04 categorias pelo seu novo espetáculo " CINE TEATRO LIMITE"
.

NA IMPRENSA - CAPA DA ILUSTRADA - FOLHA DE SÃO PAULO

sábado, 28 de fevereiro de 2009

EM SÃO PAULO




CRÍTICAS


Por Kátia Jórgensen

Kátia Jórgensen é uma das fundadoras da Cia. dos Atores Invisíveis e mantém o blog/podcast Luz&Sombra

2 Irmãos e a Garota de Rosa Shocking

Lev, Boris, Érica. Três personas interessantíssimas. Um triângulo. Seria pouco dizer um triângulo amoroso. Está mais para um círculo, um ciclo de idas e vindas de três vidas perdidas tentando se achar no meio da bagunça.

Quando entramos no espaço do SESC Copacabana (multiuso), somos surpreendidos por uma confusão de imagens e sons que representam perfeitamente o estado dos três personagens no começo do espetáculo.

Aos poucos vamos nos sentindo dentro daquele apartamento colorido e encantador. Pablo Sanábio nos apresenta um vivo e presente "Lev", cheio de conflitos, sem ser óbvio. O ator consegue dar a mão perfeita na interpretação naturalista mas não tão despojado a ponto de desperdiçar a arte do ator. Diogo Benjamim é Boris, um rapaz fechado e metódico. O ator mostra grande disponibilidade de jogo com os outros atores.Ana Lima é Érika, uma garota inconseqüente e sedutora. A atriz esbanja seu talento cômico sem exagerar no clichê da mulher vulgar, levando a personagem para o patético da superficialidade feminina.

O cenário é uma grande instalação do artista plástico Alberto Renault : um dos pontos fortes do espetáculo. É visualmente interessante e muito bem utilizado em cena (poderia ser só ilustrativo mas não é). A instalação é realmente a casa daqueles três jovens , numa versão estilizada. Ainda fazendo parte da instalação , a iluminação é bem informal e só ilumina o necessário. É operada pelos próprios atores , em cena : uma jogada interessantíssima que nos aproxima muito dos personagens. A mesma regra é aplicada para algumas músicas executadas na trilha sonora. Os momentos em que a música rola quando os atores apertam o play são vivos e nos fazem esquecer que estamos assistindo a uma peça.

A trilha sonora é bem coerente com a estética cool do espetáculo. Versões charmosas de Clássicos como Beat it de Michael Jackson e de novos Clássicos como Tóxic de Britney Spears dão o tom contemporâneo, que, "diga-se de passagem", é ironicamente totalmente anos 80/90. A direção da dupla Michel Blois e Cynthia Reis é inteligente e dinâmica. Os atores seguem um tom extremamente naturalista e leve em contradição com o texto forte e cruel . Essa interpretação nos leva a acreditar até um certo momento do espetáculo que a peça trata-se de uma história sutil e engraçada, porém do meio para o final vamos nos surpreendendo com as máscaras dos personagens caindo e revelando suas verdadeiras intenções. Vamos sendo conduzidos, sem perceber - quase que "de brincadeira"- por uma história densa e dramática. O lúdico dá lugar ao trágico e só percebemos quando o espetáculo acaba e somos obrigados a entender o quanto todos nós vivemos entre seres hipócritas e bonzinhos.

Óculos coloridos, sunquíni, rosa shocking, all star e muito charme são os ingredientes desse caldeirão de criatividade e bom gosto que é o espetáculo "Dois Irmãos".

O QUE FALARAM SOBRE A PEÇA....

REVISTA QUESTÃO DE CRÍTICA

POR DANIEL SHENKER

Espetáculo determinado pela cenografia

"2 irmãos é um trabalho instigante, que faz oportuna contribuição ao panorama teatral desses primeiros meses de 2009."

A montagem de 2 irmãos investe em algumas tendências bastante frequentes em investigações cênicas recentes, principalmente as realizadas por grupos jovens e/ou por companhias movidas por inquietação artística. A mais evidente diz respeito à busca por uma espacialidade diferenciada do formato tradicional, tanto no que se refere à movimentação dos atores quanto à inserção do espectador; a mais interessante reside no comprometimento dos atores com o instante imediato da cena.

Parece haver uma determinação dos diretores Michel Blois e Cynthia Reis em fugir ao convencional. Talvez esta preocupação tenha surgido a partir de uma constatação referente ao modo de transportar para a cena o texto de Fausto Paravidino, que, de fato, não tem nada de muito especial, a julgar pela maneira como o autor aborda a evolução do vínculo passional para a tragédia no relacionamento travado entre Boris e Lev, os dois irmãos do título, e Erica, todos dividindo o mesmo apartamento.

A montagem é, em boa parte, norteada pelo dispositivo cenográfico criado por Alberto Renault, que consiste numa espécie de grande mesa. Em cima dela, os atores transitam entre diversos objetos manipulados ao longo da apresentação (vale destacar a ação com as facas, realizada por Pablo Sanábio, ao final). Aos poucos, os atores desencaixam partes dessa mesa e abrem percursos através dela. É possível estabelecer conexões entre a cenografia e os personagens de Paravidino: no fato de eles não conseguirem estabelecer sintonia, como as trilhas abertas pela mesa que nunca se encontram, e também na grande quantidade de objetos espalhados de forma desordenada, expressando a (des)estruturação de Boris, Lev e Erica.

Mesmo assim, fica a impressão de que a concepção da cenografia decorre, acima de tudo, de uma tomada de posição acerca do fazer teatral. Os diretores defendem uma interação entre o teatro e as artes plásticas (não por acaso, a montagem foi apresentada numa galeria durante parte da temporada no Rio de Janeiro), não só por meio da construção de uma cena condicionada pela instalação cenográfica como de propostas de relação lançadas ao público. Entretanto, as propostas - seja fazer com que os espectadores interajam de maneira mais livre com o espetáculo, no sentido de permitir a entrada e a saída a qualquer momento, ainda que uma história linear esteja sendo contada, seja a acomodação da plateia em bancos nas laterais da sala, ampliando, de certa forma, a horizontalidade do dispositivo cenográfico - carecem de uma fundamentação mais consistente.

É no trabalho com os atores que Michel Blois e Cynthia Reis alcançam os resultados mais promissores. Ana Lima, Diogo Benjamin e, em especial, Pablo Sanábio caminham na contramão de um artificial tom de representação, procurando reagir às situações no momento exato em que ocorrem. É como se o público testemunhasse os atores sendo assaltados por sucessivos impulsos e, ocasionalmente, constrangidos ao se confrontarem com intervenções surpreendentes do personagem/parceiro de cena. A espontaneidade com que passeiam por estados emocionais desponta como resultado de um processo de construção elaborado durante o período de ensaios. Restrições à parte, 2 irmãos é um trabalho instigante, que faz oportuna contribuição ao panorama teatral desses primeiros meses de 2009.

O QUE JÁ ESCREVERAM SOBRE A PEÇA....


VOGUE RG

Dois Irmãos

Última semana para ver "Dois Irmãos" numa galeria de arte em Ipanema

por Marcos Damigo

O espetáculo Dois Irmãos, do italiano Fausto Paravidino, traz dois atores e uma atriz sobre uma grande mesa-instalação criada por Alberto Renault, ali na Galeria de Arte Cândido Mendes. O texto, premiado na Itália, trata de um triângulo amoroso entre os dois irmãos do título e uma garota. O tema, explorado exaustivamente mundo afora, renova-se nas mãos do jovem autor italiano pela crueza com que retrata esses três personagens: eles brigam entre si como se o respeito só pudesse ser conquistado pela agressão. Ao mesmo tempo provocam e seduzem uns aos outros, e consequentemente a plateia, numa espécie de mundo-cão decadente - mas cheio de charme. O espetáculo tem um clima de perigo que provoca prazer e inquietação. A sensação é de que algo está para acontecer a qualquer momento. E acontece mesmo. Mas não vou contar o que é...

Tudo conspira para criar esse clima: dos atores vestidos por Felipe Veloso ao cenário de Renault, composto por objetos variados sobre essa mesa imensa. Cheia de gavetas e portinhas, tem ainda dois aquários, cada um com um peixinho dourado dentro, que refletem os personagens e sua desolação. A iluminação de Paulo César Medeiros, composta por luminárias sobre a mesa, e a trilha sonora de Carol Portes, feita somente por releituras de músicas consagradas (uma mais linda que a outra), são manuseadas pelos próprios atores em cena, e dão o arremate para que se construa um universo consistente.

Com tudo isso a favor, os atores Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio se lançam aos papeis com garra e convicção, num jogo vivo de relações tensas e entrecortadas. Ponto para o trabalho da dupla de diretores Michel Blois e Cynthia Reis, que mantém a corda esticada entre os atores. A plateia agradece.

Em tempo: a mesa-instalação de Renault é um capítulo à parte. Para confeccioná-la, os atores conclamaram os amigos por email, pedindo doações de objetos antigos, sem uso. O resultado é uma obra que pode e merece ser visitada durante o dia. Se você estiver passando por Ipanema, vá ver. Antes da peça começar, os atores ficam ali interagindo com luminárias, aquários, ventiladores antigos, livros, baralhos, utensílios de cozinha e até ossos de boi pintados de verde... e até com quem passa por ali.

Ficha Técnica:
"Dois Irmãos" de Fausto Paravidino
Tradução: Fabiana Colasanti
Direção: Cynthia Reis e Michel Blois
Elenco: Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Cenário: Alberto Renault
Produção de Arte: Ângela Melman
Produtora de Arte Assistente: Ana Karina Ferreira
Projeto Arquitetônico: Thiago Tavares
Supervisão do Projeto Arquitetônico: Érika Duarte
Figurinos: Felipe Veloso
Assistente de figurinos: Leonardo Neves
Iluminação: Paulo César Medeiros
Trilha: Carol Portes
Direção de Movimento: Sandra Prazeres
Cenotécnico: Barretos Marcenaria, Dom e equipe
Diretor de Cena: Dom
Contra-regra: Anderson Silva Gonçalves
Pintura de Arte: Elson Silva de Oliveira
Eletricista: Boy Jorge
Sonorização: Leandro Meireles
Assessoria de Imprensa: Mônica Hauser
Fotografia: Sérgio Baia, Ana Rodrigues e Daniel Chiacos
Programação Visual: Diogo Benjamin
Administração: Cláudia Leite Pereira
Produção Executiva: Ana Lima
Direção de Produção: Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Produtores Associados: Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Realização: Panorama 21 Produções


DOIS IRMÃOS - DUE FRATELLI - EM SÃO PAULO


DOIS IRMÃOS - DUE FRATELLI ESTRÉIA NO DIA 05 DE MARÇO NO GALPÃO DO SESC POMPÉIA - SEMPRE QUINTAS E SEXTAS 21:30

Relações levadas ao limite, a violência vista como parte integrante do cotidiano e único modo de conseguir se fazer respeitar, um triângulo amoroso entre dois irmãos e uma garota, objeto de desejo comum. Esses elementos ditam o clima da peça */Dois Irmãos – Due Fratelli/*, que estreia em São Paulo no *dia 5 de março*, quinta-feira, às 21h30, no Galpão do *SESC Pompeia*, depois de duas temporadas de sucesso no Rio de Janeiro. Montagem do texto que rendeu ao italiano Fausto Paravidino o prêmio Tondelli (o mais importante da dramaturgia contemporânea), o espetáculo revisita o tema do triângulo amoroso de forma simples e moderna, *por meio de um* olhar ácido* **e* portador de uma sinceridade quase cruel.

Situações cotidianas, como regras para manter a casa limpa ou então a simples divisão das contas do mercado, são levadas ao limite por essas três pessoas envolvidas em um ciclo vicioso de sentimentos e desejos. Uma progressão temporal claustrofóbica desvela suas vidas, que se chocam e se desencontram, para a plateia. Em meio a cartas fantasiosas para a família distante e jogos de verdades e mentiras, a tensão, crescente, eclode num final inesperado.

“Vi a montagem desse texto em 2004 em Lisboa, feita pela cia. Artistas Unidos no teatro Taborda. Gostei por causa do humor quase trágico que ele carrega. Já estava procurando um autor contemporâneo, uma peça com poucos personagens e este me pareceu perfeito”, conta a atriz Ana Lima, uma das idealizadoras do projeto.

Cyntia Reis e Michel Blois dirigem os atores Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio. O /stylist/ Felipe Veloso - ganhador do Prêmio Moda Brasil na categoria melhor /stylist/ e responsável pelo figurino de Regina Casé, Caetano Veloso e Fernanda Abreu, além de assinar o /styling/ de desfiles *de Marcelo* Sommer, Isabela Capeto, Raia de Goeye e Victor Dzenk - *criou* todos os figurinos. Paulo César Medeiros - *iluminador premiado* - desenha a luz do espetáculo. Além disso, destaque para trilha sonora, de Carol Portes, formada por releituras de músicas, como /Toxic/, de Britney Spears.

*O diálogo com as artes plásticas*

Um dos objetivos do espetáculo é criar uma ponte entre o teatro e as artes plásticas, um diálogo entre essas duas manifestações artísticas. Para isso, uniu-se ao projeto Alberto Renault, responsável pelo cenário da peça. A fim de criar o ambiente ideal (algo que representasse uma cozinha, mas que conseguisse unificar todos os demais cômodos da casa), o artista utilizou uma enorme mesa: “O texto tem uma referência doméstica muito forte, e a mesa traz essa ideia de casa, horário, vida em comum. Eu aumentei a mesa e ela virou a casa. Os quartos, banheiros, todos os cômodos estão lá”.

A atriz Ana Lima complementa: “A cenografia veio antes da direção. O Renault leu o texto conosco e quis delimitar um espaço de jogo para esta história. Originalmente tudo acontece ao redor da mesa da cozinha. Então chegamos a essa mesa enorme onde está tudo, a cozinha, o banheiro, os quartos, o cemitério... e daí a idéia de fazer uma montagem que dialogasse com as artes plásticas”.

A “mesa-cenário” tem 10 x 3 m e sobre ela fica uma infinidade de objetos: “Durante a montagem, pedimos doações para pessoas próximas. A mesa foi montada a partir delas, mas também com alguns elementos tecnológicos, como I-pods”, afirma Renault. Para o cenógrafo, tudo se mistura, em uma arqueologia urbana de dejetos. Os objetos que foram dispensados por essas pessoas se tornaram úteis para a encenação.

Cada parte da mesa contém elementos que remetem à personalidade de um dos personagens. “Em um canto, há um jardim de ossos verdes. Ele não representa nada, aquilo está ali. Eu martelei uns livros também. Acho que essas imagens podem representar algo para quem olha. Os ossos estão perto da região onde mora um personagem, porque eu acredito que esse é o tipo de coisa que ele poderia ter. Tudo o que está na mesa tem relação com os personagens, com o que li e vi deles, coisas que eu acho que eles poderiam fazer e ter”, explica Renault.

Como forma de explicitar a intersecção entre teatro e artes plástica, o cenário pode ser visitado pelo público aos sábados e domingos, no Galpão do SESC Pompeia (onde ocorrem as apresentações). Livros, lâmpadas, tintas, objetos cotidianos e até o jardim de ossos do personagem Boris compõem essa enorme obra de arte, um mosaico de cores e texturas.

*O papel da performance*

O premiado texto de Paravidino não inova por sua temática, e sim por sua linguagem. “O triângulo amoroso é, de certa forma, um lugar comum. Pensamos, então, em adotar esse ‘comum’ como estímulo: o cotidiano, o verdadeiro, o tempo real para a encenação”, comenta o diretor Michel Blois. A proximidade que o espetáculo traz, as ações cotidianas dos atores e um texto que poderia ter saído da boca de qualquer um dos espectadores convidam o público a ser cúmplice dessa história. “É como se eles estivessem olhando pelo buraco da fechadura de uma relação de três pessoas”, completa.

“A exposição da cenografia não é o mais importante, é só um detalhe que fortalece todo o conceito que seguimos para a criação do espetáculo”, afirma Michel. Como forma de transformar a peça em algo vivo, que pudesse mudar a cada dia, a cada frase, os diretores e atores partiram de dinâmicas da performance: “A peça não é toda marcada. Ela tem balizas que os atores percorrem. Eles não precisam, necessariamente, cumpri-la da mesma forma todos os dias. Eles podem se renovar a cada apresentação”, explica o diretor.

Valorizando o tempo real da encenação, a forma como cada frase dita e recebida é percebida pelos atores cria uma característica de inovação constante, pois eles nunca sabem exatamente o que vem pela frente. Mesmo conhecendo cada fala e o desfecho, há espaço para surpreender o outro e, consequentemente, o público. Para Michel, o texto foi trabalhado de forma a aproximá-lo o máximo possível dos atores, para que esses pudessem “jogá-lo fora”.

“Trabalhamos a relação entre os atores e criamos imagens que aguçassem o espectador a pensar de sua própria maneira, interpretar aqueles diálogos e situações de acordo com sua própria bagagem”, afirma Michel. Dessa forma, boa parte da peça é o público quem faz. “Os atores sugerem, mas os espectadores apreendem aqueles elementos e montam sua compreensão da maneira que lhes parecer mais adequada.” Para a atriz Ana Lima, "a cada apresentação descobrimos algo novo, um andar diferente sobre a mesa, uma entrelinha do texto.... tudo é aberto e vivo”.


Sobre a equipe


CYNTIA REIS - DIREÇÃO

Nascida em 1979 no Rio de janeiro, formou-se na Casa das Artes de Laranjeiras/CAl em 2003 e, em 2007, se formou em Bacharel em Artes Dramáticas na Faculdade UniverCidade. Iniciou sua carreira como assistente de direção de Chistiane Jatahy nos espetáculos /Leitor por horas, /de José Sanchis Sinisterra, /André,/ de Philipppe Minyana. Como atriz trabalhou nos espetáculos: /Valentim,/ de Karl Valentim, com direção de Anna Scar, "Comemorando?" de Harold Pinter, com direção de Denise Waimberg, /Anjo dos subúrbios,/ de Bertolt Brecht, com direção de Renato Icaray, e /Sonho de uma noite de verão,/ de Shaskpeare, com direção de David Herman. Dirigiu dois espetáculos, seu primeiro em 2007: /Os Ruivos - A Verdadeira Revolução Vermelha/, de Leonardo Neto, está em cartaz atualmente no teatro Miguel Falabela no Rio de Janeiro. Seu segundo, também de 2007, é /Dois Irmãos – Due Fratelli,/ de Fausto Paravidino.


MICHEL BLOIS - DIREÇÃO

Diretor, formou-se em Interpretação pela CAL e em Fisioterapia pela Universidade Estácio de Sá em 2006. Dirigiu o monólogo /A Sônia é que é feliz/, texto de Julia Spadaccini com atuação de Rodolfo Mesquita (2007/2008). Ao lado da Invisível Companhia, dirigiu e atuou nos trabalhos /Limite /e /Córtex/. Foi diretor-assistente de Kiko Mascarenhas na peça /Por Enquanto É Isso /(2006), de Jefferson Miranda em /Modelos para A(r)mar/ (2007) e de Alessandra Colasanti na peça /tempo. Depois/ (2007), onde também trabalhou como diretor de movimento. Atuou em /,mas a vida é boa/, peça e filme dirigidos por Jefferson Miranda (2006), /A Falecida,/ peça de Nelson Rodrigues com direção de João Fonseca (2008), /Modelos para A(r)mar,/ sob direção de Jefferson Miranda (2007), /Site Specific for love,/ sob direção de Flávio Graff (2007), e /Super night shot/, espetáculo do grupo anglo-alemão Gob Squad. Nos meses de outubro a dezembro de 2008, fez uma ocupação do Teatro Gláucio Gil, comandada por Enrique Diaz e os grupos Coletivo Improviso e Pequena Orquestra, do qual faz parte. Em cinema, fez o seu primeiro longa, /Tropa de Elite,/ sob direção de José Padilha em 2007.



*ANA LIMA* ELENCO

Atriz formada pela Cal em 2002 e pela Faculdade de Dança Angel Vianna em 2005. Em teatro, já trabalhou com os diretores Gilberto Gawronsky, Suzanna Saldanha, Celina Sodré, Demétrio Nicolau, Almir Telles, Luiz Furlanetto, Andréa Zeni, Guto Macedo, entre outros. Como performer desenvolveu os solos de dança-teatro /Saudade/ (com supervisão coreográfica de Paulo Caldas) e /Plástico/ (com supervisão coreográfica de Ana Vitória). Foi preparadora corporal da Cia CITTART, dirigida por Luiz Furlanetto, e dos alunos de interpretação para TV do Studio Escola de Atores em 2006. Atualmente trabalha no Coletivo de Performance Líquida Ação dirigido por Eloísa Brantes, e na Cia Poesia Visual dirigido por Giti Bond.

*DIOGO BENJAMIN* ELENCO

Carioca de 28 anos, é ator, diretor e produtor. Estudou Teatro na CAL e é Formado em Artes Cênicas pela UniverCidade/RJ. Seus últimos trabalhos são /A Vida na Praça Roosevelt/ (2006)/,/ direção de Ole Erdman, /Não Olhe Agora/ (2007), direção de Enrique Diaz, e as performances /Baldeação/ (2008), /Arte à Venda/ (2006/2007) e /Banho Público/ (2007) com o Coletivo Líquida Ação. Dirigiu o espetáculo /Procura-se/ (2006), baseado no conto /Onírico/ do escritor Caio Fernando Abreu. É assistente de direção de Alberto Renault em trabalhos como a ópera /Fidelio/ (2008) e desfiles das Semanas de Moda das grifes Salinas, Maria Bonita Extra e Isabela Capeto.

*PABLO SANÁBIO* ELENCO

Ator formado pela CAL e em Publicidade pela FACHA. Em teatro já trabalhou com Antonio Abujamra, João Fonseca, Gilberto Gawronski, Thierry Themoroux, Marcus Alvisi, Ticiana Studart, Paulo Afonso de Lima, Renato Icarahy, Carlos Gregório, entre outros. Participou de inúmeras campanhas publicitárias como OI, Volkswagen e ENO. Na TV fez parte do elenco fixo do /Sítio do Pica Pau Amarelo/, além de ter feito o programa /Faça a sua História/. No cinema atuou nos longas /Sem Controle, Xuxa – Sonho de Menina/ e no ainda não /lançado Largando o Escritório/. Começa a filmar o próximo filme do Daniel Filho em outubro chamado /Tempos de Paz/. Também produziu diversos espetáculos, entre eles: /Gota d’Água/ (direção de João Fonseca), A Falta Que Nos Move (direção de Christiane Jatahy), Besouro Cordão de Ouro (direção de João das Neves), entre outros.

*ALBERTO RENAULT* - CENÁRIO

Diretor, roteirista e cenógrafo. Dirigiu as óperas /A Violação de Lucrecia/, /Voz Humana /e /L'Orfeu,/ de Monteverdi, entre outros. No teatro, dirigiu /O Caso da Rua ao Lado/. Adaptou /O Homem Sem Qualidades/ de Robert Musil, entre outras peças, para Bia Lessa. Em Paris, foi assistente do diretor Bruno Bayen. Também dirigiu e criou cenários para várias temporadas da SP Fashion Week e do Fashion Rio para diversas marcas. É colaborador de revistas, entre elas Vogue e Casa Vogue. Criou com Isabela Capeto a instalação /296 Maneiras,/ apresentada no MAM-SP e/ no /Museu de Arte Contemporânea de Tóquio. Também foi responsável pela criação da série/ Nomes da Moda/ para a Fashion TV (2008). Para televisão, dirigiu e roteirizou os programas /Brasil Legal/ e /Muvuca/ na Rede Globo, com apresentação de Regina Casé. Roteirizou quadros /Adolescência/, /Minha Periferia/ e /Central da Periferia/Mundo/ (Cidade do México, Luanda e Paris) (2007), para o programa Fantástico da Rede Globo. Dirigiu e roteirizou matérias para o programa /Altas Horas/ na mesma emissora. Dirigiu e roteirizou o vídeo /100 Palavras/, com Regina Casé. Participa da equipe de criação e redação do Programa /Um Pé de Que?,/ com Regina Casé no Canal Futura. Dirigiu, também para o Canal Futura, o documentário gravado em Tóquio /Brasil, Japão, Vidas e Formas/ (2009).

*FELIPE VELOSO* - FIGURINO

Um dos stylists mais requisitados do Brasil. Ganhou o Prêmio MODA BRASIL, o principal do setor, como o stylist do ano de 2008. Responsável pelo figurino de Regina Casé (na vida pessoal e em todos os projetos em que ela se envolve), Caetano Veloso e Fernanda Abreu, além de assinar o styling de desfiles grandiosos no eixo Rio-São Paulo, tais como: Sommer, Isabela Capeto, Raia de Goeye e Victor Dzenk. Neste verão 2008, assina as campanhas das grifes Sommer e Lisht, além de viajar ndo pelas periferias ao redor do mundo com Regina Casé, para seu novo quadro no /Fantástico/.

*CAROL PORTES* - TRILHA SONORA

Jovem artista do Rio de Janeiro, criou trilhas para os espetáculos /Esses anos estúpidos e perigosos/ e /Cova Rasa, /além de ter colaborado com o espetáculo /A Forma das Coisas/. Atualmente, interpreta Amanda, uma das protagonistas da série /A Lei e o Crime/, da Record.

PAULO CÉSAR MEDEIROS - ILUMINAÇÃO

Um dos maiores iluminadores do Brasil, tendo recebido os mais importantes prêmios de teatro do páis, possui no currículo mais de 200 peças. Entre alguns de seus trabalhos estão A NOVIÇA REBELDE, SETE - O MUSICAL, BESOURO CORDÃO DE OURO, GLORIOSA, entre outras.