
DOIS IRMÃOS - DUE FRATELLI ESTRÉIA NO DIA 05 DE MARÇO NO GALPÃO DO SESC POMPÉIA - SEMPRE QUINTAS E SEXTAS 21:30
Relações levadas ao limite, a violência vista como parte integrante do cotidiano e único modo de conseguir se fazer respeitar, um triângulo amoroso entre dois irmãos e uma garota, objeto de desejo comum. Esses elementos ditam o clima da peça */Dois Irmãos – Due Fratelli/*, que estreia em São Paulo no *dia 5 de março*, quinta-feira, às 21h30, no Galpão do *SESC Pompeia*, depois de duas temporadas de sucesso no Rio de Janeiro. Montagem do texto que rendeu ao italiano Fausto Paravidino o prêmio Tondelli (o mais importante da dramaturgia contemporânea), o espetáculo revisita o tema do triângulo amoroso de forma simples e moderna, *por meio de um* olhar ácido* **e* portador de uma sinceridade quase cruel.
Situações cotidianas, como regras para manter a casa limpa ou então a simples divisão das contas do mercado, são levadas ao limite por essas três pessoas envolvidas em um ciclo vicioso de sentimentos e desejos. Uma progressão temporal claustrofóbica desvela suas vidas, que se chocam e se desencontram, para a plateia. Em meio a cartas fantasiosas para a família distante e jogos de verdades e mentiras, a tensão, crescente, eclode num final inesperado.
“Vi a montagem desse texto em 2004 em Lisboa, feita pela cia. Artistas Unidos no teatro Taborda. Gostei por causa do humor quase trágico que ele carrega. Já estava procurando um autor contemporâneo, uma peça com poucos personagens e este me pareceu perfeito”, conta a atriz Ana Lima, uma das idealizadoras do projeto.
Cyntia Reis e Michel Blois dirigem os atores Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio. O /stylist/ Felipe Veloso - ganhador do Prêmio Moda Brasil na categoria melhor /stylist/ e responsável pelo figurino de Regina Casé, Caetano Veloso e Fernanda Abreu, além de assinar o /styling/ de desfiles *de Marcelo* Sommer, Isabela Capeto, Raia de Goeye e Victor Dzenk - *criou* todos os figurinos. Paulo César Medeiros - *iluminador premiado* - desenha a luz do espetáculo. Além disso, destaque para trilha sonora, de Carol Portes, formada por releituras de músicas, como /Toxic/, de Britney Spears.
*O diálogo com as artes plásticas*
Um dos objetivos do espetáculo é criar uma ponte entre o teatro e as artes plásticas, um diálogo entre essas duas manifestações artísticas. Para isso, uniu-se ao projeto Alberto Renault, responsável pelo cenário da peça. A fim de criar o ambiente ideal (algo que representasse uma cozinha, mas que conseguisse unificar todos os demais cômodos da casa), o artista utilizou uma enorme mesa: “O texto tem uma referência doméstica muito forte, e a mesa traz essa ideia de casa, horário, vida em comum. Eu aumentei a mesa e ela virou a casa. Os quartos, banheiros, todos os cômodos estão lá”.
A atriz Ana Lima complementa: “A cenografia veio antes da direção. O Renault leu o texto conosco e quis delimitar um espaço de jogo para esta história. Originalmente tudo acontece ao redor da mesa da cozinha. Então chegamos a essa mesa enorme onde está tudo, a cozinha, o banheiro, os quartos, o cemitério... e daí a idéia de fazer uma montagem que dialogasse com as artes plásticas”.
A “mesa-cenário” tem 10 x 3 m e sobre ela fica uma infinidade de objetos: “Durante a montagem, pedimos doações para pessoas próximas. A mesa foi montada a partir delas, mas também com alguns elementos tecnológicos, como I-pods”, afirma Renault. Para o cenógrafo, tudo se mistura, em uma arqueologia urbana de dejetos. Os objetos que foram dispensados por essas pessoas se tornaram úteis para a encenação.
Cada parte da mesa contém elementos que remetem à personalidade de um dos personagens. “Em um canto, há um jardim de ossos verdes. Ele não representa nada, aquilo está ali. Eu martelei uns livros também. Acho que essas imagens podem representar algo para quem olha. Os ossos estão perto da região onde mora um personagem, porque eu acredito que esse é o tipo de coisa que ele poderia ter. Tudo o que está na mesa tem relação com os personagens, com o que li e vi deles, coisas que eu acho que eles poderiam fazer e ter”, explica Renault.
Como forma de explicitar a intersecção entre teatro e artes plástica, o cenário pode ser visitado pelo público aos sábados e domingos, no Galpão do SESC Pompeia (onde ocorrem as apresentações). Livros, lâmpadas, tintas, objetos cotidianos e até o jardim de ossos do personagem Boris compõem essa enorme obra de arte, um mosaico de cores e texturas.
*O papel da performance*
O premiado texto de Paravidino não inova por sua temática, e sim por sua linguagem. “O triângulo amoroso é, de certa forma, um lugar comum. Pensamos, então, em adotar esse ‘comum’ como estímulo: o cotidiano, o verdadeiro, o tempo real para a encenação”, comenta o diretor Michel Blois. A proximidade que o espetáculo traz, as ações cotidianas dos atores e um texto que poderia ter saído da boca de qualquer um dos espectadores convidam o público a ser cúmplice dessa história. “É como se eles estivessem olhando pelo buraco da fechadura de uma relação de três pessoas”, completa.
“A exposição da cenografia não é o mais importante, é só um detalhe que fortalece todo o conceito que seguimos para a criação do espetáculo”, afirma Michel. Como forma de transformar a peça em algo vivo, que pudesse mudar a cada dia, a cada frase, os diretores e atores partiram de dinâmicas da performance: “A peça não é toda marcada. Ela tem balizas que os atores percorrem. Eles não precisam, necessariamente, cumpri-la da mesma forma todos os dias. Eles podem se renovar a cada apresentação”, explica o diretor.
Valorizando o tempo real da encenação, a forma como cada frase dita e recebida é percebida pelos atores cria uma característica de inovação constante, pois eles nunca sabem exatamente o que vem pela frente. Mesmo conhecendo cada fala e o desfecho, há espaço para surpreender o outro e, consequentemente, o público. Para Michel, o texto foi trabalhado de forma a aproximá-lo o máximo possível dos atores, para que esses pudessem “jogá-lo fora”.
“Trabalhamos a relação entre os atores e criamos imagens que aguçassem o espectador a pensar de sua própria maneira, interpretar aqueles diálogos e situações de acordo com sua própria bagagem”, afirma Michel. Dessa forma, boa parte da peça é o público quem faz. “Os atores sugerem, mas os espectadores apreendem aqueles elementos e montam sua compreensão da maneira que lhes parecer mais adequada.” Para a atriz Ana Lima, "a cada apresentação descobrimos algo novo, um andar diferente sobre a mesa, uma entrelinha do texto.... tudo é aberto e vivo”.
Sobre a equipe
CYNTIA REIS - DIREÇÃO
Nascida em 1979 no Rio de janeiro, formou-se na Casa das Artes de Laranjeiras/CAl em 2003 e, em 2007, se formou em Bacharel em Artes Dramáticas na Faculdade UniverCidade. Iniciou sua carreira como assistente de direção de Chistiane Jatahy nos espetáculos /Leitor por horas, /de José Sanchis Sinisterra, /André,/ de Philipppe Minyana. Como atriz trabalhou nos espetáculos: /Valentim,/ de Karl Valentim, com direção de Anna Scar, "Comemorando?" de Harold Pinter, com direção de Denise Waimberg, /Anjo dos subúrbios,/ de Bertolt Brecht, com direção de Renato Icaray, e /Sonho de uma noite de verão,/ de Shaskpeare, com direção de David Herman. Dirigiu dois espetáculos, seu primeiro em 2007: /Os Ruivos - A Verdadeira Revolução Vermelha/, de Leonardo Neto, está em cartaz atualmente no teatro Miguel Falabela no Rio de Janeiro. Seu segundo, também de 2007, é /Dois Irmãos – Due Fratelli,/ de Fausto Paravidino.
MICHEL BLOIS - DIREÇÃO
Diretor, formou-se em Interpretação pela CAL e em Fisioterapia pela Universidade Estácio de Sá em 2006. Dirigiu o monólogo /A Sônia é que é feliz/, texto de Julia Spadaccini com atuação de Rodolfo Mesquita (2007/2008). Ao lado da Invisível Companhia, dirigiu e atuou nos trabalhos /Limite /e /Córtex/. Foi diretor-assistente de Kiko Mascarenhas na peça /Por Enquanto É Isso /(2006), de Jefferson Miranda em /Modelos para A(r)mar/ (2007) e de Alessandra Colasanti na peça /tempo. Depois/ (2007), onde também trabalhou como diretor de movimento. Atuou em /,mas a vida é boa/, peça e filme dirigidos por Jefferson Miranda (2006), /A Falecida,/ peça de Nelson Rodrigues com direção de João Fonseca (2008), /Modelos para A(r)mar,/ sob direção de Jefferson Miranda (2007), /Site Specific for love,/ sob direção de Flávio Graff (2007), e /Super night shot/, espetáculo do grupo anglo-alemão Gob Squad. Nos meses de outubro a dezembro de 2008, fez uma ocupação do Teatro Gláucio Gil, comandada por Enrique Diaz e os grupos Coletivo Improviso e Pequena Orquestra, do qual faz parte. Em cinema, fez o seu primeiro longa, /Tropa de Elite,/ sob direção de José Padilha em 2007.
*ANA LIMA* ELENCO
Atriz formada pela Cal em 2002 e pela Faculdade de Dança Angel Vianna em 2005. Em teatro, já trabalhou com os diretores Gilberto Gawronsky, Suzanna Saldanha, Celina Sodré, Demétrio Nicolau, Almir Telles, Luiz Furlanetto, Andréa Zeni, Guto Macedo, entre outros. Como performer desenvolveu os solos de dança-teatro /Saudade/ (com supervisão coreográfica de Paulo Caldas) e /Plástico/ (com supervisão coreográfica de Ana Vitória). Foi preparadora corporal da Cia CITTART, dirigida por Luiz Furlanetto, e dos alunos de interpretação para TV do Studio Escola de Atores em 2006. Atualmente trabalha no Coletivo de Performance Líquida Ação dirigido por Eloísa Brantes, e na Cia Poesia Visual dirigido por Giti Bond.
*DIOGO BENJAMIN* ELENCO
Carioca de 28 anos, é ator, diretor e produtor. Estudou Teatro na CAL e é Formado em Artes Cênicas pela UniverCidade/RJ. Seus últimos trabalhos são /A Vida na Praça Roosevelt/ (2006)/,/ direção de Ole Erdman, /Não Olhe Agora/ (2007), direção de Enrique Diaz, e as performances /Baldeação/ (2008), /Arte à Venda/ (2006/2007) e /Banho Público/ (2007) com o Coletivo Líquida Ação. Dirigiu o espetáculo /Procura-se/ (2006), baseado no conto /Onírico/ do escritor Caio Fernando Abreu. É assistente de direção de Alberto Renault em trabalhos como a ópera /Fidelio/ (2008) e desfiles das Semanas de Moda das grifes Salinas, Maria Bonita Extra e Isabela Capeto.
*PABLO SANÁBIO* ELENCO
Ator formado pela CAL e em Publicidade pela FACHA. Em teatro já trabalhou com Antonio Abujamra, João Fonseca, Gilberto Gawronski, Thierry Themoroux, Marcus Alvisi, Ticiana Studart, Paulo Afonso de Lima, Renato Icarahy, Carlos Gregório, entre outros. Participou de inúmeras campanhas publicitárias como OI, Volkswagen e ENO. Na TV fez parte do elenco fixo do /Sítio do Pica Pau Amarelo/, além de ter feito o programa /Faça a sua História/. No cinema atuou nos longas /Sem Controle, Xuxa – Sonho de Menina/ e no ainda não /lançado Largando o Escritório/. Começa a filmar o próximo filme do Daniel Filho em outubro chamado /Tempos de Paz/. Também produziu diversos espetáculos, entre eles: /Gota d’Água/ (direção de João Fonseca), A Falta Que Nos Move (direção de Christiane Jatahy), Besouro Cordão de Ouro (direção de João das Neves), entre outros.
*ALBERTO RENAULT* - CENÁRIO
Diretor, roteirista e cenógrafo. Dirigiu as óperas /A Violação de Lucrecia/, /Voz Humana /e /L'Orfeu,/ de Monteverdi, entre outros. No teatro, dirigiu /O Caso da Rua ao Lado/. Adaptou /O Homem Sem Qualidades/ de Robert Musil, entre outras peças, para Bia Lessa. Em Paris, foi assistente do diretor Bruno Bayen. Também dirigiu e criou cenários para várias temporadas da SP Fashion Week e do Fashion Rio para diversas marcas. É colaborador de revistas, entre elas Vogue e Casa Vogue. Criou com Isabela Capeto a instalação /296 Maneiras,/ apresentada no MAM-SP e/ no /Museu de Arte Contemporânea de Tóquio. Também foi responsável pela criação da série/ Nomes da Moda/ para a Fashion TV (2008). Para televisão, dirigiu e roteirizou os programas /Brasil Legal/ e /Muvuca/ na Rede Globo, com apresentação de Regina Casé. Roteirizou quadros /Adolescência/, /Minha Periferia/ e /Central da Periferia/Mundo/ (Cidade do México, Luanda e Paris) (2007), para o programa Fantástico da Rede Globo. Dirigiu e roteirizou matérias para o programa /Altas Horas/ na mesma emissora. Dirigiu e roteirizou o vídeo /100 Palavras/, com Regina Casé. Participa da equipe de criação e redação do Programa /Um Pé de Que?,/ com Regina Casé no Canal Futura. Dirigiu, também para o Canal Futura, o documentário gravado em Tóquio /Brasil, Japão, Vidas e Formas/ (2009).
*FELIPE VELOSO* - FIGURINO
Um dos stylists mais requisitados do Brasil. Ganhou o Prêmio MODA BRASIL, o principal do setor, como o stylist do ano de 2008. Responsável pelo figurino de Regina Casé (na vida pessoal e em todos os projetos em que ela se envolve), Caetano Veloso e Fernanda Abreu, além de assinar o styling de desfiles grandiosos no eixo Rio-São Paulo, tais como: Sommer, Isabela Capeto, Raia de Goeye e Victor Dzenk. Neste verão 2008, assina as campanhas das grifes Sommer e Lisht, além de viajar ndo pelas periferias ao redor do mundo com Regina Casé, para seu novo quadro no /Fantástico/.
*CAROL PORTES* - TRILHA SONORA
Jovem artista do Rio de Janeiro, criou trilhas para os espetáculos /Esses anos estúpidos e perigosos/ e /Cova Rasa, /além de ter colaborado com o espetáculo /A Forma das Coisas/. Atualmente, interpreta Amanda, uma das protagonistas da série /A Lei e o Crime/, da Record.
PAULO CÉSAR MEDEIROS - ILUMINAÇÃO
Um dos maiores iluminadores do Brasil, tendo recebido os mais importantes prêmios de teatro do páis, possui no currículo mais de 200 peças. Entre alguns de seus trabalhos estão A NOVIÇA REBELDE, SETE - O MUSICAL, BESOURO CORDÃO DE OURO, GLORIOSA, entre outras.
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