
Dois Irmãos
por Marcos Damigo
O espetáculo Dois Irmãos, do italiano Fausto Paravidino, traz dois atores e uma atriz sobre uma grande mesa-instalação criada por Alberto Renault, ali na Galeria de Arte Cândido Mendes. O texto, premiado na Itália, trata de um triângulo amoroso entre os dois irmãos do título e uma garota. O tema, explorado exaustivamente mundo afora, renova-se nas mãos do jovem autor italiano pela crueza com que retrata esses três personagens: eles brigam entre si como se o respeito só pudesse ser conquistado pela agressão. Ao mesmo tempo provocam e seduzem uns aos outros, e consequentemente a plateia, numa espécie de mundo-cão decadente - mas cheio de charme. O espetáculo tem um clima de perigo que provoca prazer e inquietação. A sensação é de que algo está para acontecer a qualquer momento. E acontece mesmo. Mas não vou contar o que é...
Tudo conspira para criar esse clima: dos atores vestidos por Felipe Veloso ao cenário de Renault, composto por objetos variados sobre essa mesa imensa. Cheia de gavetas e portinhas, tem ainda dois aquários, cada um com um peixinho dourado dentro, que refletem os personagens e sua desolação. A iluminação de Paulo César Medeiros, composta por luminárias sobre a mesa, e a trilha sonora de Carol Portes, feita somente por releituras de músicas consagradas (uma mais linda que a outra), são manuseadas pelos próprios atores em cena, e dão o arremate para que se construa um universo consistente.
Com tudo isso a favor, os atores Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio se lançam aos papeis com garra e convicção, num jogo vivo de relações tensas e entrecortadas. Ponto para o trabalho da dupla de diretores Michel Blois e Cynthia Reis, que mantém a corda esticada entre os atores. A plateia agradece.
Em tempo: a mesa-instalação de Renault é um capítulo à parte. Para confeccioná-la, os atores conclamaram os amigos por email, pedindo doações de objetos antigos, sem uso. O resultado é uma obra que pode e merece ser visitada durante o dia. Se você estiver passando por Ipanema, vá ver. Antes da peça começar, os atores ficam ali interagindo com luminárias, aquários, ventiladores antigos, livros, baralhos, utensílios de cozinha e até ossos de boi pintados de verde... e até com quem passa por ali.
Ficha Técnica:"Dois Irmãos" de Fausto Paravidino
Tradução: Fabiana Colasanti
Direção: Cynthia Reis e Michel Blois
Elenco: Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Cenário: Alberto Renault
Produção de Arte: Ângela Melman
Produtora de Arte Assistente: Ana Karina Ferreira
Projeto Arquitetônico: Thiago Tavares
Supervisão do Projeto Arquitetônico: Érika Duarte
Figurinos: Felipe Veloso
Assistente de figurinos: Leonardo Neves
Iluminação: Paulo César Medeiros
Trilha: Carol Portes
Direção de Movimento: Sandra Prazeres
Cenotécnico: Barretos Marcenaria, Dom e equipe
Diretor de Cena: Dom
Contra-regra: Anderson Silva Gonçalves
Pintura de Arte: Elson Silva de Oliveira
Eletricista: Boy Jorge
Sonorização: Leandro Meireles
Assessoria de Imprensa: Mônica Hauser
Fotografia: Sérgio Baia, Ana Rodrigues e Daniel Chiacos
Programação Visual: Diogo Benjamin
Administração: Cláudia Leite Pereira
Produção Executiva: Ana Lima
Direção de Produção: Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Produtores Associados: Ana Lima, Diogo Benjamin e Pablo Sanábio
Realização: Panorama 21 Produções
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